Como descrever o caso para não perder códigos
A codificação parte do que você escreveu. Três hábitos de escrita decidem se ela encontra todos os procedimentos da guia ou só parte deles — e nenhum tem a ver com escrever mais, só com escrever o que o catálogo consegue reconhecer.
Diga onde fica a lesão, não só o nome dela
Epônimos — Lisfranc, Bankart, Jones, Colles — identificam a lesão entre médicos, mas não no catálogo. A Tabela 22 descreve procedimentos por estrutura anatômica, quase nunca por nome próprio.
Evite
Paciente com lesão de Lisfranc. Necessita procedimento cirúrgico.
Prefira
Paciente com lesão ligamentar de Lisfranc (articulação tarsometatársica do pé direito), confirmada por radiografia e tomografia.
Sem a região anatômica, a busca não tem âncora: “Lisfranc” não aparece na descrição de nenhum procedimento, enquanto “tarsometatársica” e “pé” aparecem em vários. Vale para qualquer epônimo — cite a estrutura e o lado.
Descreva todos os tempos cirúrgicos que pretende realizar
Este é o que mais custa dinheiro, e o mais silencioso. Cada tempo cirúrgico não descrito é um código que não entra na guia — e o sistema não inventa conduta que você não declarou.
Evite
Fratura-luxação do pé. Proponho cirurgia.
Prefira
Proponho redução cruenta e fixação interna da fratura-luxação, com reparo ligamentar, tenoplastia do tibial anterior e microneurólise do nervo fibular profundo no mesmo tempo.
Num caso real, o cirurgião esperava quatro códigos e descreveu conduta para dois. Os outros dois eram decisão técnica dele — reparo de tendão e liberação de nervo — e não estavam no texto. Nenhum sistema poderia deduzi-los, porque não eram implicação da lesão: eram escolha do cirurgião.
Mantenha a lista de OPME fora do texto clínico
Colar a lista de materiais no meio da descrição contamina a busca. Marca comercial e medida não são vocabulário clínico, mas concorrem em pé de igualdade com ele.
Evite
...necessita procedimento cirúrgico. Material solicitado: Smartsize (dissector), Mini Endobutton, Placa tipo Clow 3.5
Prefira
Campo “Caso clínico”: ...necessita procedimento cirúrgico. Campo “Materiais e OPME”: Placa de compressão 3.5, âncora de sutura
Num caso real, a palavra “material” sozinha trouxe 8 dos 12 procedimentos candidatos — coleta de material cérvico-vaginal, material genético — e empurrou os procedimentos cirúrgicos para fora da lista. Por isso existe um campo separado: os materiais continuam sendo usados na justificativa, sem disputar a busca.
O modelo completo, num exemplo
As três regras aplicadas ao mesmo caso. Note que não é mais longo — é mais específico.
Caso clínico e conduta pretendida
Paciente masculino, 34 anos, entorse de tornozelo direito há 3 semanas, evoluindo para lesão ligamentar de Lisfranc (articulação tarsometatársica do pé direito), confirmada por radiografia e tomografia. Proponho redução cruenta e fixação interna da fratura-luxação, com reparo do ligamento de Lisfranc, tenoplastia do tibial anterior e microneurólise do nervo fibular profundo no mesmo tempo cirúrgico.
Materiais e OPME solicitados
Placa de compressão 3.5 Parafusos corticais Âncora de sutura
Perguntas frequentes
Preciso escrever o caso em algum formato específico?
Não. O texto é livre. As orientações desta página aumentam a chance de o código certo aparecer, mas nenhuma delas é obrigatória — você pode escrever do seu jeito e ajustar depois, inclusive adicionando procedimentos manualmente na etapa de seleção.
Por que a lista de materiais deve ficar num campo separado?
Porque nomes comerciais e medidas competem com os termos clínicos na busca do catálogo TUSS. Num caso real, a palavra “material” sozinha trouxe 8 dos 12 procedimentos candidatos — coleta de material cérvico-vaginal, material genético — e expulsou os procedimentos cirúrgicos do resultado.
O sistema adivinha procedimentos que eu não descrevi?
Não, e isso é deliberado. Ele sugere procedimentos correlatos para você avaliar, mas não inventa condutas. Se você fará reparo de tendão ou liberação de nervo no mesmo tempo cirúrgico e não escreveu isso, o código correspondente não tem como aparecer.
Posso usar epônimos como Lisfranc, Bankart ou Jones?
Pode, desde que acompanhados da região anatômica. O catálogo TUSS descreve procedimentos por estrutura do corpo, quase nunca por nome próprio: “lesão de Lisfranc” sozinho não casa com nada, “lesão de Lisfranc (articulação tarsometatársica do pé)” casa.
Experimente com um caso seu
Três análises completas por mês no plano gratuito, sem cartão de crédito.